Doenças Neurodegenerativas

Inflamação é o processo comum em todas as doenças neurodegenerativas (doenças que por determinado motivo, literalmente destroem os neurónios - células responsáveis pelas funções do cérebro. Quando essas células são destruídas, gradualmente o doente vai perdendo as funções motoras, fisiológicas e psicológicas) onde as funções dos neurónios no sistema nervoso central são primeiramente afectadas e posteriormente destruídas.Todas as doenças que iremos abordar tem como principal anomalia a destruição das células cerebrais. Na grande maioria dos casos, os factores que poderão desencadear o aparecimento destas doenças ainda são desconhecidos. Estima-se que um grande número de doenças nerodegenerativas esteja associado a transmissão genética, no entanto, muitas ocorrem em casos isolados de uma família.

segunda-feira

Panfleto


Finalmente, o produto final


Depois muitas respostas negativas recebidas em relação à comparência de alguém especializado para a realização da palestra, conseguimos contactar com o cientista professor Dr. Tiago Fleming Outeiro.


No dia 28 e Abril decorreu uma palestra no âmbito da área curricular de Área de Projecto do 12º ano sobre as doenças Neurodegenerativas, tema de trabalho do Grupo II da turma B. No início, foram apresentadas e explicadas três doenças pelos alunos dos grupo – Huntington, Esclerose Múltipla e Pick – com o objectivo de dar a conhecer as principais características, sintomas e tratamentos das mesmas. Depois disso, o convidado, Professor Dr. Tiago Fleming Outeiro, além de explicar especificamente a origem e o desenvolvimento das doenças de Parkinson e Alzheimer, deu informações muito úteis sobre as áreas de estudo e investigação relacionadas com a Ciência.
A plateia mostrou-se, de um modo geral, bastante interessada e, assim, foi possível criar um bom ambiente para compreender melhor estas patologias e sensibilizar para as mesmas.

quinta-feira

Diagnóstico

O diagnóstico da doença de NPC exige uma atenção meticulosa e competência múltiplas.

Primeiramente, deve conhecer-se os vários fenótipos clínicos que possam levar à suspeição da doença de NPC, seguido da limitação das hipótese de diagnóstico diferencial através de exames complementares.

Segue-se o diagnóstico bioquímico, que se baseia na cultura de fibroblastos da pele, obtidos por biópsia, sendo avaliada a sua capacidade para transportar e acumular colesterol. A acumulação do colesterol não esterificado em fibroblastos é avaliada através da coloração das células com filipina, que brilha sob luz ultravioleta.

A lesão bioquímica pode ser de severidade variável (fenótipos clássico, com numerosas vesículas perinucleares coradas, em 85% dos casos; variante, com um nível de acumulação inferior e variável, em 15% dos casos), sem correlação estreita com a clínica. O transporte de colesterol é avaliado a partir da taxa de esterificação do colesterol exógeno, sendo esta nula ou baixa no fenótipo clássico, e moderada no fenótipo variante. Este é um teste útil na confirmação do diagnóstico no fenótipo variante.

Contudo, como é complexo e caro, pode proceder-se logo à sequenciação genética dos genes NPC1 e 2 nos casos altamente positivos (fenótipo clássico) com o teste da filipina, sendo esta necessária para a confirmação do diagnóstico.

O diagnóstico pré-natal é realizado pelo estudo bioquímico e, se possível, através da identificação das mutações, por genética molecular.

quarta-feira

Qual é, tipicamente, a idade de início da doença?

Existe uma grande heterogeneidade no início dos sintomas/sinais e na progressão da doença. Frequentemente, há um aumento de tamanho do fígado e do baço no período neonatal, enquanto os sintomas neurológicos se manifestam, na maior parte dos casos, entre os 4 e os 10 anos de idade. Em cerca de 20% dos casos, as alterações neurológicas começam antes dos 2 anos de idade; em 60 a 70% dos casos, entre os 3 e os 15 anos; na forma adulta, em apenas 10% dos casos.

terça-feira

Quando e como é transmitida de pais para filhos?

A NPC é de transmissão autossómica recessiva, o que significa que os sintomas clínicos só se manifestam quando as duas cópias do gene associado à patologia estão alteradas. Cada progenitor de uma criança tem um gene NPC1 funcional e outro NPC1 não funcional. A criança é afectada quando recebe dos dois portadores os dois genes NPC não funcionais. No entanto, os progenitores são apenas portadores, não apresentando quaisquer sinais ou sintomas da doença.

Em cada gravidez de um casal de portadores, existe uma possibilidade em 4 (25%) de a criança vir a ter a doença, 1 em 2 (50%) de apenas 1 gene NPC não funcional passar para a criança, e 1 em 4 da criança receber dois genes funcionais e, desta forma, não ser nem portadora nem doente.

segunda-feira

Evolução e prognóstico

A evolução consiste num agravamento dos sinais neurológicos, que se reflectem em dificuldades na aprendizagem, problemas comportamentais e perda de capacidade intelectual, e no aparecimento de tremores, convulsões ou de uma disfagia progressiva, que pode eventualmente levar a gastrostomia. Em estádios finais, o doente encontra-se frequentemente acamado, tem pouco controlo muscular e grande diminuição da capacidade intelectual.

O prognóstico varia consoante a idade em que se manifestam os primeiros sinais neurológicos. Quanto mais precoce se manifestarem, mais rápido será o agravamento da doença.

O que é o Niemann-Pick C?

A doença de Niemann-Pick C (NPC) é desconhecida da maioria da população e mesmo da maior parte dos médicos por ser rara. É uma doença metabólica, de origem hereditária, que se caracteriza basicamente pela acumulação de níveis excessivos de colesterol e glicolípidos nos lisossomas do fígado, no baço ou no cérebro.

Como consequência dessa acumulação excessiva, ocorre um aumento do tamanho do fígado e/ou do baço (hepatoesplenomegália) e várias alterações neurológicas que afectam a capacidade intelectual e motora, provocando uma demência progressiva. É, por isso, comum a comparação da NPC com a doença de Alzheimer, sendo assim conhecida por “Alzheimer das crianças”. A NPC manifesta-se normalmente na idade escolar, sendo fatal, na maioria dos casos, antes dos 20 ou até mesmo 10 anos de idade.

domingo

Quais os sintomas da Niemann-Pick C?

Os sintomas da doença variam muito em relação ao seu início e evolução. Começam geralmente a manifestar-se na idade escolar, mas também é comum aparecerem logo nos primeiros meses de vida e menos frequentemente já na idade adulta. Mesmo que os sinais apareçam mais cedo, é comum a família esperar vários anos até se chegar ao diagnóstico da NPC.
Em 40% dos casos, o período neonatal é marcado por uma hepatoesplenomegália, com icterícia colestárica prolongada, geralmente de regressão espontânea, podendo no entanto evoluir para uma insuficiência hepática rapidamente fatal. Esta hepato e/ou esplenomegália é um sinal frequente na criança, podendo permanecer isolada antes dos sintomas neurológicos, embora esteja ausente em 10 a 15% dos casos.

Alterações neurológicas mais comuns

Na forma infantil severa (cerca de 20% dos casos), a criança revela um atraso no desenvolvimento motor e hipotonia antes dos dois anos. Nos outros casos (em 60 a 70% dos casos), os sinais neurológicos típicos são:

incapacidade de olhar para cima e para baixo (oftalmoplegia vertical supranuclear);
má coordenação dos movimentos, por exemplo, na marcha (ataxia cerebelosa);
perturbações do tónus muscular (distonia);
dificuldade na fala (disartria);
perda súbita do tónus muscular, provocando a queda (cataplexia);
crises convulsivas;
demência progressiva (entre os 3 e os 15 anos e, em 10% dos casos, na forma adulta);
na forma adulta (10% dos casos), as alterações psiquiátricas são mais frequentes, tais como síndrome psiquiátrico que mimetiza uma depressão, perturbação bipolar ou uma esquizofrenia, com sinais neurológicos reduzidos ou pouco evidentes.
Sintomas mais sugestivos de NPC

A paralisia do olhar vertical supranuclear é altamente sugestiva de NPC. Os pais apercebem-se dela quando a criança sobe ou desce escadas, vê televisão enquanto sentada no chão ou em outras situações semelhantes – a criança inclina a cabeça de modo a conseguir ver correctamente em vez de mover o olhar. Alterações ao nível do fígado ou do baço (como um aumento do tamanho) nos primeiros meses de vida são também muito sugestivas de NPC.

sábado

Quem atinge?

Uma em cada 150.000 crianças recém-nascidas é afectada pela doença na Europa Ocidental, atingindo de igual modo os sexos feminino e masculino. Em Portugal, um estudo revelou que em cada 100.000 portugueses, 2,2 são afectados. Pensa-se, contudo, que a NPC esteja subdiagnosticada – devido ao desconhecimento da própria doença – e que existam mais casos.

sexta-feira

Além deste tratamento, há outras recomendações que devem ser seguidas de forma a melhorar a sintomatologia e a prevenir complicações da NPC

- Dieta com pouco colesterol
- Vigilância e tratamento precoce das alterações da motricidade
- Anticonvulsivos no caso de convulsões
- Fisioterapia para evitar o anquilosamento articular
- Espessantes, sonda nasogástrica ou gastrostomia, conforme a gravidade, para garantir o aporte nutricional
- Controlo das infecções respiratórias, aspirado de secreções e fisioterapia respiratória.

quarta-feira

Diagnóstico da DH

Só pode chegar-se a um diagnóstico clínico da DH através de um exame completo, que geralmente vincula um exame neurológico e psicológico e uma história familiar detalhada.O teste genético pode ser usado para auxiliar a confirmar ou excluir o diagnóstico de DH. No entanto, o resultado positivo do teste (indicando a presença do gene da DH) não é suficiente apenas por si próprio (por exemplo, sem um exame neurológico) para confirmar o diagnóstico clínico da DH.
É melhor consultar um médico (geralmente um neurologista) que esteja familiarizado com a DH, uma vez que os sintomas podem coincidir com os de outras doenças, como outras formas de coreias, ataxias, doença de Parkinson ou alcoolismo.

Doença de Parkinson

O que é a doença de Parkinson?



A doença de Parkinson é caracterizada por uma desordem progressiva do movimento devido à disfunção dos neurónios secretores de dopamina nos gânglios da base, que controlam e ajustam a transmissão dos comandos conscientes vindos do córtex cerebral para os músculos do corpo humano. Não somente os neurónios dopaminérgicos estão envolvidos, mas outras estruturas produtoras de serotonina, noradrenalina e acetilcolina estão envolvidos na génese da doença.
A doença de Parkinson é idiopática, ou seja é uma doença primária de causa obscura. Há degeneração e morte celular dos neurónios produtores de dopamina. É uma doença crónica, persiste ao longo do tempo, e progressiva ou seja, os sintomas vão piorando ao longo do tempo.

Causas da doença de Parkinson



A doença de Parkinson ocorre quando certas células nervosas ou neurónios numa área do cérebro designada de substância negra morrem ou deixam de funcionar. Normalmente estes neurónios produzem uma substância muito importante designada de dopamina. Dopamina é um mensageiro químico responsável pela transmissão de sinais que garantem a actividade dos músculos. A perda de dopamina faz com que os indivíduos sejam incapazes de controlar os seus próprios movimentos de forma normal.
A causa da doença de Parkinson continua desconhecida, no entanto algumas hipóteses têm sido apresentadas:
• predisposição genética, 15-20% de indivíduos com a doença de Parkinson têm parentes com sintomas semelhantes. Recentemente foram encontradas algumas formas familiares atribuídas a diferentes mutações genéticas.
• Tóxicos ambientais, herbicidas, insecticidas, fungicidas podem destruir os neurónios dopaminérgicos. O MPTP (1-metil-4-fenil-1,2,3,6-tetrahidropiridina) foi identificado como agente causador de doença de Parkinson e visto que esta molécula é bastante semelhante à molécula de paraquat que entra na composição de alguns herbicidas e pesticidas surge a hipótese tóxica ambiental.
• Lesão oxidativa que pode contribuir para a morte das células nervosas
• Por razões desconhecidas o processo normal de diminuição da produção de dopamina relacionado com a idade acelera em alguns indivíduos.
• Vários investigadores acreditam que a combinação destes quatro mecanismos: tóxicos ambientais, lesão oxidativa, predisposição genética e processo de aceleração da idade podem causar a doença.

Qual é a frequência da doença de Parkinson?



• A prevalência em Portugal é de 1,5 em 1000 pessoas. Esta doença ocorre mais em homens do que em mulheres e predomina nos indivíduos brancos. Não há preferência económica, social ou geográfica. Afecta essencialmente pessoas com mais de 50 anos porém nos últimos anos têm havido cada vez mais casos com esta doença em idades inferiores.

Quais são os principais sintomas da doença de Parkinson?



Tremor – designa-se por tremor de repouso pois está presente quando o indivíduo não está a realizar qualquer movimento. O doente apresenta um tremor que geralmente começa nos membros superiores e mais raramente nos inferiores. No início da doença o tremor é inconstante e torna-se mais evidente nas situações de stress físico e emocional.
Bradicinésia – diminuição da velocidade e da amplitude do movimento. Actividades que normalmente se fazem rapidamente e facilmente como tomar banho ou pentear o cabelo demoram bastantes horas a serem realizadas por estes indivíduos.
Rigidez - é o aumento do tono muscular que é sentido pelo observador como uma resistência aumentada durante os movimentos passivos. O grande princípio do movimento do corpo é a complementaridade entre um músculo que contrai enquanto o músculo oposto relaxa. Na doença de Parkinson ocorre rigidez quando em resposta aos sinais do cérebro ocorre um distúrbio que impede que esta relação de complementaridade ocorra. Nesta doença os músculos encontram-se sempre tensos e contraídos fazendo a pessoa sentir-se fraca.
Instabilidade postural – Revela-se pela dificuldade de equilíbrio e pela ocorrência de quedas frequentes. É um sinal de agravamento na evolução da doença. Pode surgir:
- Amimia (falta de expressão facial)
- Sudorese (muitos suores) e sialorreia ( muita saliva) e obstipação ( intestino preso) e disfunção do foro urinário, estes sintomas acompanham a doença geralmente numa fase muita avançada da sua evolução
- Depressão
- Defeito cognitivo
- Alteração do sono (70 a 98% dos doentes) como dificuldade em adormecer, acordar com frequência, sonolência diurna, alucinações, confusão mental durante a noite, desconforto e dor nos membros inferiores.

Como é que a doença de Parkinson é diagnosticada?



Mesmo para um neurologista experiente fazer o diagnóstico da doença de Parkinson numa fase precoce pode ser difícil. Não existe um marcador biológico. nomeadamente testes de laboratório ou exames de imagem que até o momento sejam capazes de fazer o diagnóstico. Esta doença é identificada essencialmente com base na observação clínica do doente.

Qual o tratamento da doença de Parkinson?



Actualmente não existe cura para a doença de Parkinson mas várias medidas terapêuticas podem proporcionar franco alívio dos sintomas. Nem todos os doentes necessitam de medicamentos, estes estão reservados para aqueles cujos sintomas são muito intensos e de grande influência negativa na sua vida diária. Nem todos os indivíduos reagem da mesma forma à medicação, é necessário tempo e paciência para se alcançar a dose para o indivíduo em causa. E mesmo assim, por vezes, não se consegue aliviar todos os sintomas por completo.
No estágio inicial da doença os médicos geralmente iniciam o tratamento com um ou uma combinação de medicamentos mais fracos nomeadamente anticolinérgicos e amantadina e reservam o tratamento mais forte, nomeadamente com Levodopa, para quando for realmente necessário. Levodopa é um químico simples encontrado naturalmente nas plantas e animais. As células nervosas conseguem converter a levodopa em dopamina , assim, combater as necessidades em dopamina destas células.
COMO A ECP TRATA O MAL DE PARKINSON

1. No tratamento do Parkinson com ECP, um aparelho estimulador de 15 mm de espessura e 80 g de peso é colocado sob a clavícula.
2. Fica conectado a eletrodos inseridos em regiões específicas do cérebro. Os eletrodos emitem descargas elétricas de até 10,5 volts.
Porém, a dopamina sozinha não consegue atravessar a barreira hemato-encefálica bem como causa: náuseas, vómitos e hipotensão arterial assim, geralmente, é dado aos doentes a associação de levodopa e carbidopa de forma a evitar efeitos colaterais bem como permitir que a dopamina alcance as células do cérebro. A Levodopa pode ser bastante eficaz mas é importante ter a consciência de que não é uma cura. Apesar de diminuir os sintomas não consegue parar a evolução progressiva da doença.
À medida que a doença progride e o tempo da terapêutica médica se alonga a dose de dopa que controla os sintomas é sobreponível à que causa efeitos adversos como discinésias (perturbação dos movimentos) incontroláveis e problemas comportamentais. A doença fica medicamente intratável e é nesta altura que a terapêutica cirúrgica pode ter um papel importante. Investigadores têm mostrado interesse por um procedimento cirúrgico designado por pallidotomia numa porção do cérebro designada globus pallidus que está lesionada. Alguns estudos indicam que esta técnica pode melhorar sintomas como tremor, rigidez, discinésia. Várias outras técnicas cirúrgicas têm vindo a ser alvo de várias investigações.

Existe algum tipo de dieta ou exercício que possa aliviar os sintomas da doença de Parkinson?



Dieta:
Fazer uma alimentação equilibrada rica em frutas e vegetais é sempre benéfico, independentemente de se ter doença de Parkinson ou não. Não há nenhum alimento que possa curar ou prevenir a doença de Parkinson. Porém, é importante ter em conta que uma alimentação rica em proteínas pode diminuir a eficácia da levodopa.
Exercício:
Visto que a doença de Parkinson é uma doença que afecta o movimento o exercício pode ajudar os doentes a melhorarem a sua mobilidade. Alguns médicos prescrevem Fisioterapia. O exercício não para a progressão da doença mas pode aumentar a força do corpo, melhorar o equilíbrio, ajudar as pessoas a resolver alguns problemas que antes eram tão simples, fortalecer alguns músculos que permitam à pessoa falar e engolir melhor, bem como apoiar emocionalmente estes indivíduos pelos pequenos progressos que possam ser alcançados. Os exercícios mais benéficos são: andar, fazer jardinagem, nadar e praticar cardio-fitness.